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18/12/2009

Entrevista com José Fernando Pacheco


A entrevista abaixo foi originalmente cedida pelo amigo e grande ornitólogo José Fernando Pacheco, para o antigo Boletim Informativo do COAVE, em fevereiro de 2006.

Pacheco é Biólogo, com mestrado em Zoologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. É Diretor do CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos e foi membro eleito do Conselho Deliberativo da SBO – Sociedade Brasileira de Ornitologia, por duas gestões.

Cultivou desde sua infância o gosto pelos mistérios e peculiaridades da vida animal. De forma independente, em 1976, iniciou-se na atividade de observação das aves. Em busca de mais informações, no ano seguinte, passou a freqüentar o Museu Nacional e por mais de uma década pode manter contato com diversos e experientes pesquisadores; familiarizar-se com a literatura especializada e a grande coleção ornitológica da instituição.

Publicou cerca de 190 artigos, capítulos de livro e notas de variável densidade, utilidade e aceitação, em periódicos científicos ou de divulgação, nacionais e estrangeiros. Apresentou outros cerca de 50 trabalhos em Congressos, Seminários e Reuniões Científicas nacionais e internacionais.

COAVE - Como surgiu a oportunidade de revisar e ampliar a obra do Sick, Ornitologia Brasileira?

 

Pacheco – A oportunidade surgiu por indicação de algumas pessoas que serviram de “conselheiros de ocasião” da Dona Ingeburg Kindel, herdeira de Helmut Sick. Essas pessoas foram os ornitólogos Luiz P. Gonzaga e Vânia Soares Alves, o entomólogo Johann Becker (amigo pessoal de Sick) e Bill Searight (conselheiro da Fundação Margaret Mee).

Uma breve digressão. Sick adoecera gravemente em meio ao trabalho de atualização da nova edição de sua obra e temeroso de não concluir, incumbiu Dona Inge de zelar pelo fechamento desse projeto, em caso de sua morte – o que de fato veio a acontecer.

Pareceu a eles, que dentre os “discípulos” do mestre (no meu caso, um mero aluno informal), eu reuniria as condições necessárias para aceitar o desafio (eu não tinha essa convicção!) e, mais importante, poderia iniciar logo a empreitada.

Dediquei-me por oito meses, de forma integral, ao trabalho de organização e revisão dos manuscritos e depois acompanhei os processos de diagramação e fechamento da obra, o que consumiu ao todo 26 meses. Para mim, foi uma maravilhosa experiência profissional ter participado disso.

 

 

COAVE - Pacheco, você é membro fundador do mais antigo clube de observadores de aves ativo do Brasil, o COA do Rio de Janeiro. Como foi a trajetória do clube?

 

Pacheco – É verdade, o nosso Clube completou 20 anos de existência em janeiro deste ano. Costumo dizer que o COA do Rio “deu certo” porque sempre foi muito informal. Essa informalidade tornou-se a nossa marca registrada, desde o início, graças sobretudo, eu diria, ao fotógrafo Luiz Claudio Marigo. Por aqui, nunca foi cobrado dos associados nada além do prazer lúdico de estar no campo apreciando a passarada ou no auditório curtindo uma palestra, muitas vezes não ornitológica. Mesmo assim, aqueles mais interessados na arte de identificar as aves se beneficiavam da presença de ornitólogos ou observadores mais experientes. Diga-se de passagem que Sick assistiu e participou de várias de nossas atividades, conquanto naquela época a reunião mensal do COA acontecia no mesmo bairro no qual ele residia: Laranjeiras.

 

 

COAVE - Conte-nos um pouco da experiência de ter participado dos extintos ENOAs - Encontro Nacional dos Observadores de Aves.

 

Pacheco – Eu participei de cinco dos oito Encontros realizados pelo COA-Nacional: Itatiaia (1985), Parque do Rio Doce (1986); Agulhas Negras (1988), Caraça (1989) e Caparaó (1991). Nesses encontros era possível conhecer observadores de várias partes do Brasil e trocar preciosas experiências. Para muitos, era a oportunidade de conhecer novos lugares, aves novas, compartilhar caminhadas e assistir palestras. Em geral, esses encontros principiaram duradouras amizades entre colegas de estados diferentes e vários de seus participantes tornaram-se exímios observadores ou ornitólogos de carreira.

 



COAVE - Pacheco, você é diretor do CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, por favor, nos explique a importância que este Comitê representa para a comunidade ornitológica.

 

Pacheco – O Comitê, em última análise, tem a pretensão de prestar um serviço à ornitologia brasileira na medida em que seus membros reúnem-se regular e virtualmente para recomendar o mais atualizado e apropriado tratamento taxonômico e nomenclatório das aves brasileiras. Afinal, é notório que uma parte importante dos ornitólogos não trabalha com estes aspectos e, portanto, não acompanha as numerosas publicações atinentes.

 



COAVE - Como você se sente sendo homenageado com o nome de uma nova espécie de ave?

 

Pacheco – O que dizer acerca da recente descrição de Scytalopus pachecoi? Que estou extremamente feliz, um pouco orgulhoso e, parafraseando um amigo, “docemente constrangido”. Sinto-me afortunado pelo acontecimento em si, orgulhoso por ter sido homenageado por Giovanni Maurício, um dos mais brilhantes ornitólogos brasileiros da nova safra e um querido amigo; mas, um tanto constrangido porque concebia que este tipo de homenagem caberia melhor em ornitólogos mais antigos.

 

 

PALAVRA ABERTA

Fico feliz em participar do cenário atual da Ornitologia Brasileira. Com numerosos estudiosos – brilhantes pesquisadores e alunos promissores – cobrindo uma vasta gama de campos. A cada Congresso de Ornitologia, me dou conta de que estamos em meio a uma revolução no conhecimento das aves brasileiras!




Comentários

Maria Cristina Isabel Gabardo Costa - 25/02/2012
Parabéns por tudo , Fernando! E que v. seja, cada vez mais, reconhecido pelo belo trabalho! Maria Cristina G. Costa.

Heringer - 25/02/2012
Legal a entrevista... assisti uma ou duas reuniões do COA, no Rio (eu morava em Campinas-SP) e pude ver a tal informalidade que o Fernando comentou aqui... e aproveito para parabenizá-lo pelo bom trabalho que vem fazendo. Eu sou fã de carteirinha.

Tania Regina F. Maia - 25/02/2016
Fico muito feliz em ver todo esse sucesso! Você sempre batalhou muito pra isso. Mas que merecedor...

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